As bifurcações da vida são realmente incríveis...
Este blog semi-abandonado, que quase ninguém escreve muito menos lê, existe por causa da ex-banda que existiu por uns 2 anos, fundada nos divertidos tempos de colégio e pelas 3 figuras fielmente caricaturadas por mim aé em cima. A banda Cana Loca foi eterna enquanto durou. Vivíamos a mesma realidade - Íamos à escola apenas pra se divertir, pichar as paredes e tocar no violão os hits compostos pela 'Galega'; melodias meigas que grudavam no ouvido e todo mundo sabia cantar em coro. Era o auge. Daí, fuga pelo portão dos fundos direto pra casa da Victória, ou melhor, Q.G. Canaloquístico, fazer campeonato de bong e tocar as mesmas musiquinhas como uma banda de verdade.
Muita gente ainda me pergunta da bandinha. Ninguém acredita quando conto que acabou. Pois era realmente mágico: no ensaio, pura telepatia e risadas. Sobre o palco, uma performance alegre, que vidrava qualquer visão. Evoluímos juntas; aprendi a tocar baixo pela banda. Barbarella aprendeu a cantar, Victória desenvolveu a pegada que só ela. Começando do zero, é natural que fosse extremamente simples. Nada de virtuosismos, nem sequer um solo! Musicalidade crua, tosca, mas muito verdadeira.
E hoje, toda vez que respondo 'acabou!' com um sorriso, é porque compreendo perfeitamente que foi esse o real e supremo valor do Cana Loca: o ponto zero. O impulso. Amadurecimento puro, até chegar o momento da bifurcação. Uma quebra de vínculo muito natural - acabou o colégio pra mim, a outra arranjou marido, a terceira bitolou no teatro...
...e agora, cada uma na sua própria banda. Eu fui tocar baixo com o Gui música eletrônica experimental esquizofrênica, Barbarella foi cantar à la Janis Joplin na virtuosa banda Amigos da Onça e Victória foi bater lata no I.E.M.S., enérgica e original banda de experimental orgânico bem brasileiro.
E o melhor de tudo é estar na primeira fila do show da outra, sentindo a vibração que ecoa da caixa de Cana pra Loca... ah, a eterna telepatia. Ontem mesmo presenciei a melhor performance da Bá e os Amigos da Onça. Bar lotado. O show dos caras já havia começado, como sempre, a princípio só instrumental. E aquela pessoinha no mínimo excêntrica e corcundinha de boina torta serpenteando ali no meio. Olhares de canto de olho, meio de lado, focados nela. Foram esses os olhos que mais desacreditaram quando essa mesma figura subiu no palco e cantou o primeiro verso. Uma voz delicada, impecável e cada vez mais espontânea (claro, a cada música era um copo de chopp que esvaziava), que também sabe se impor e ser forte na hora do grito blue.
Aconteceu a decolagem, agora é só perder-se nas acrobacias e viajar longe... para o alto e avante, camaradas. Estarei sempre na primeira fila.
É, faz tempo que não p(b)ostamos palavras por aqui. É que não temos tido o tal do tempo. Tempo é arte...
...e falando nisso, terça feira 27 de abril, Cine Mad in Chaos LIVE lá no Sub Groove, o projeto de downtempo da Klatu, no mesmo bat-lugar: aquela portinha baixa, escura e trash, no meio da rua Augusta. Descendo as escadas, no porão. Até a 1 da manhã entrada livre, depois disso $15 dinheiros para encher a lata. Pura cultura underground. Ou, como diriam os mesmos artistas dessa levada há uma dúzia de anos atrás, udigrudi!!!
Breve mais registros, prometemos. Não saia da sua poltrona que voltamos já!!!
PARABÉNS BARBARELLA BATE PANELA!!! Dezenove anos de louca existência!!!
Curtiu a festinha surpresa, aí... tu merece, cara.
Fico feliz, de verdade. Tem mais é que comemorar. Um graaaaande abraço,
Na seção 'mais censurados', adicionei o link do censo Cannábico - a maior pesquisa sobre maconha já realizada no Brasil. É muito importante que a galera que consome participe - afinal, o preconceito só é vencido e a cena se transforma com informação e pequenas atitudes como essa. Vai lá --->
O manifesto da existência espontânea ainda está em elaboração... é resultado de longas sessões de dolorosa introspecção. Sim, estou sofrendo para escrevê-lo. Publicar um manifesto é uma responsabilidade louca. Claro que a síntese será publicada aqui, muito em breve.
Mas bem, agora só queria mesmo contar que o Cana Loca fez uma aparição pública... brotou que nem cogumelo, tocou duas músicas, derreteu e evaporou. Estávamos todos lá no bar Sem Eira nem Beira para apreciar nossa querida Barbarella Lourdes soltar a voz à frente da virtuosa banda Amigos da Onça. Cantou como nunca!!! Gritou à la Janis e sussurou como Billie Hollyday, tudo com a sensibilidade que cabe ao old and good Blues.
Intervalo da banda. Lambisgóia, num típico ataque de nhé nhé nhé, paranoiou que tinha que ir embora. Ah, não podíamos perder aquela chance. Eu e Barbarella arrastamos a guria pra cima do palco e tocamos Me and Bobby McGee, da Janis, e Zombie, do Cranberries. Foi louco! Thank you girls.
No dia 8 de mar?o, mulheres foram ?s ruas de todo o pa?s para chamar a aten??o para a discrimina??o de g?nero. O dia, que para o com?rcio representa aumento na venda de flores, para as feministas e outras, ? mais um dos dias de luta por uma sociedade mais justa, onde as diferen?as biol?gicas- todas elas- sejam incorporadas como parte da pluralidade e n?o signifiquem mais uma pris?o.
Ao contr?rio do que afirmam os discursos que procuram desmerecer as necessidades espec?ficas, a realidade da viol?ncia do patriarcado e da normatiza??o de g?nero ? gritante. As mulheres continuam ganhando menos que os homens (70% do sal?rio deles); sofrendo viol?ncia dom?stica (4 espancamentos por minuto); sendo as ?nicas respons?veis pelos cuidados com filhas e filhos; n?o podendo decidir sobre seus corpos e suas vidas; morrendo por causa de abortos clandestinos quando n?o querem ser m?es; sendo consideradas culpadas pelos estupros que sofrem; vendo seus corpos serem usados para vender qualquer tipo de produto; aprisionadas dentro de um ?nico padr?o de beleza ou sonho de vida.
Nada justifica o crescimento da ind?stria da prostitui??o, do turismo sexual e do tr?fico de mulheres que prospera cultivando desigualdades de g?nero, ra?a e classe. Nada justifica que a mis?ria de muitas sustente o luxo de poucos. N?o h? desculpa para o estupro, nem para a piada, m?o-boba, amea?a, pancada ou insulto. N?o ? de flores que as mulheres - do campo e da cidade, de todas as cores, ra?as, tamanhos, idades e viv?ncias - precisam.
Enquanto a sociedade seguir discriminando pessoas pelo simples fato de terem um buraco entre as pernas, e n?o um peda?o de m?sculo protuberante dependurado - diferen?a f?sica natural e totalmente irrelevante, diante do essencial intelecto - as mulheres h?o de seguir gritando por igualdade. O dia internacional da mulher ? uma mentira, da mesma forma que o Natal, o dia dos namorados, das crian?as, das secret?rias e todos os 'dias especiais' mais. A m?dia plantou um falso costume de 'agradar o homenageado', e para isso, ?bvio, convencionou-se comprar presentes. Uma simula??o cultural, uma t?tica trapaceira e eficiente, pois subjetivamente induz o povo a cumprir suas metas: comprar, comprar, comprar, aumentar o consumo e consequentemente fazer o confort?vel topo da hierarquia, as grandes corpora??es econ?micas, permanecerem no trono supremo do planeta. Qualquer 'dia de' ? um pretexto para mais um bem-sucedido 'dia do compre, ot?rio'. E as pessoas seguem felizes pra casa, com seu treco f?til e irresist?vel nas m?os, e a mulher fica feliz.
Eis a raiz da hist?ria ultra deturpada:
Em 1910, o 8 de mar?o foi aprovado, na 2? Confer?ncia Internacional de Mulheres Socialistas, como o dia internacional da mulher. Esta resolu??o, proposta por uma revolucion?ria alem? chamada Clara Zetkin, fazia refer?ncia ? luta de 129 oper?rias t?xteis que, por ocuparem a f?brica onde trabalhavam em 1857 para reivindicar jornada de trabalho de 8 horas e aumento salarial, foram queimadas vivas pelos patr?es furiosos.
Assim, esse dia ? realmente um ?cone de luta por emancipa??o, uma causa pura e express?o m?xima de uma luta que prossegue. Passados 147 anos, constatamos que a barb?rie capitalista n?o deu tr?gua ? opress?o e ? explora??o feminina... muito pelo contr?rio, aprofundou-a enormemente. A igualdade entre g?neros ainda ? uma ilus?o.
"Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançarina. Eu vos digo: ainda há caos dentro de vós". - Hakim Bey
O livro que comecei a ler começou assim. Palavras intensas como um tapa já na primeira página. E nas seguintes, uma sucessão dessas transgressões verbais. Trata-se do livro TAZ - Zona Autônoma Temporária, ed. Conrad, da coleção Baderna, um clássico do nosso tempo. Um texto que, de maneira subterrânea, invadiu todos os debates radicais da atualidade. Tanto o debate mais explicitamente político, quanto as discussões mais profundas a respeito das raves e da ação hacker. Simplesmente anárquico, subversivo, revoltado e louco - mas, em contraponto, totalmente verdadeiro e necessário pra entender essa contemporaneidade da simulação e libertar-se. Liberdade no sentido mais puro da palavra. Porra, não dá pra explicar, esse texto me mostrou o sentido da vida. O levante, agora, é cristalino.
Há na criação algo de divertido, embora a empreitada seja séria. E, semelhantemente, escrever sobre a criação é algo que se faz com um espírito divertido, pois se jamais houve um processo silencioso, esse processo é o da criação. Divertido, sério e silencioso.
Sim, a criatividade... um conceito tão crucial para a história humana, e ao mesmo tempo tão indefinível. Os cientistas cognitivos, fascinados em busca de respostas, produziram inúmeras obras sobre – a criatividade foi analisada, dissecada, despedaçada, oferecendo vislumbres e sugestões torturantes; mas este mundo de informação nunca foi encaixado num todo compreensível. Não há um acordo geral sobre o que é, como aprendê-la, como ensiná-la, ou se, afinal, ela pode ser aprendida ou ensinada.
Contudo, algumas conclusões fazem sentido. A primeira é que a criatividade envolve etapas progressivas, que ocorrem ao longo de extensões variáveis de tempo. Assim se dá o processo pessoal interno: há a formulação da pergunta, ou o primeiro insight, seguido de pesquisa superficial (saturação), reflexão aprofundada (incubação), então o momento exato da descoberta (verdadeiro insight), e, finalmente, a verificação. Este breve estalo, quando o mistério é desfeito e a resposta emerge no oceano mental, é descrito por muitos como um estado de visão... ou o instante da iluminação.
É de praxe a idéia de que apenas os artistas ou aqueles que têm talento são indivíduos criativos. Nada mais deturpado: é a mídia, a moral, a religião e mais um turbilhão de influências diárias que manipulam um pensamento massificado e acomodado diante dos respectivos sofás de cada cérebro civilizado. A alienação alcançou um ponto extremo neste momento histórico – as metrópoles caóticas, índios diante de televisores, guerras sem sentido, bundas chacoalhando no carnaval – eis o mundo da ilusão. A maneira como a cidade se apresenta, sua imagem, som, textura, cor, engrenagem; tudo é falso, carrega uma idéia subliminar, uma indução opressora, a implícita mensagem ecoando pelo espaço... consuma.
Eis, então, a arte. Não é acaso que o conceito de sofra tanta distorção neste mundo ortodoxo da ilusão: a arte arregala os olhos para o mundo real, provoca a reflexão, o questionamento e a atitude. Estimula perceber e peneirar o que é puro e essencial neste caos de imagens e sensações. A arte ensina a ver a vida. A bela citação do filósofo Frederick Franck traduz claramente esta idéia: “Olhar e ver, ambos começam com a percepção do sentido, mas a semelhança acaba aí. Quando olho para o mundo e rotulo seus fenômenos, faço escolhas imediatas, avaliação instantânea – gosto ou desgosto, aceito ou rejeito aquilo que olho, de acordo com sua utilidade para ‘Mim’. O objetivo de olhar é sobreviver, enfrentar, manipular [...] somos treinados para fazer isso desde o primeiro dia de vida. Quando, por outro lado, eu VEJO, subitamente sou todo olhos, esqueço esse ‘Mim’, liberto-me dele e mergulho na realidade que está diante de... simplesmente, mim.”
A criatividade é uma questão de educar a visão. Como fazer isso? Fazendo arte. Ao desenhar, pintar, esculpir ou qualquer que seja a natureza da intervenção, é fundamental saber ver. Como se pode aprender a verdade pensando? Do mesmo modo como aprendemos a ver melhor um rosto se o desenhamos. Ver as formas que surgem num espaço negativo, traçar eixos imaginários, observar ângulos, intersecções e profundidades, compreender a luz e a sombra, enfim, ser capaz de aflorar a sensibilidade para perceber o mundo real nos seus mais minuciosos detalhes. Captando a realidade dessa forma, com o intuito de praticar a atividade artística, o indivíduo naturalmente leva essa maneira de encarar o mundo para todos os outros campos da sua existência. Passa a enxergar situações ordinárias sob outro ponto de vista, a encontrar novas soluções, a repensar. A mente se entrega ao infinito das possibilidades...
Mais do que empregar a criatividade para solucionar problemas, é encontrar novas perguntas que levem à evolução na atmosfera do problema em questão. Como nos esclarece o iluminado Albert Einstein: “A formulação de um problema freqüentemente é mais essencial do que sua solução. Levantar novas questões, novas possibilidades, ver questões antigas de um novo ângulo, isso sim exige imaginação criadora e assinala reais avanços na ciência.” Porém se a ciência tranqüiliza, a arte perturba.
Sempre é bela a resposta que suscita uma pergunta ainda mais bela. A criatividade, na essência, é a capacidade de perceber, refletir e reinventar o mundo, de quebrar padrões e desafiar conceitos, traçar rotas alternativas e mergulhar na originalidade.
Criatividade é a arte de ver a vida.
É Carnaval, a festa pagã onde tudo é religiosamente legalizado, para depois da 4a feira de cinzas, prevalecer a abstinência total desse 'tudo'. Durante 40 dias, até a páscoa. Portanto, aproveitem... se até a igreja incentiva, surte!!! Vou sair pulando de corneta e fantasia de freira, entoando a minha marchinha preferida: hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz... hoje eu vou de bar em bar, beber a vida que eu sempre quis!!! Haha, brincadeira... já fiz muito isso, agora é aproveitar esse tempo surtando, mas para produzir. Eu e o grupo do teatro vamos nos isolar em um sítio no meio do nada para fazer laboratórios de construção de personagens para a próxima peça, que devará estrear em junho, Vivendo na casa de vidro. Aos sobreviventes, até depois.
"Mergulhando na madrugada
com o caos no pensamento,
descobri-me nessa estrada
com a vontate mas sem o tempo.
A desordem da rotina
só me faz filosofar
sobre o papel de cada um
se todo mundo tem seu lugar...
Mas se a vida é uma dúvida,
vou viver sempre na questão,
olhar direto lá pra frente
e econtrar minha direção...
E se quiser me acompanhar
aprendas logo a lutar
e perceba na direfença
motivo pra mudar!
pros acomodados que ficaram
penas deixo o meu recado:
Todos fazem muita falta
no itinerário da jornada,
mas ficar aí parado
simplesmente não melhora nada."
Imagem não é nada, ATITUDE é tudo...
Boicote ao imperialismo intelectual!!!!
(coca cola company e outras empresas promovem a destruição do original...)
Vai pra vida, pessoal!!
Saudações telepáticas
Barbarella, a sem sono....
P.S. Fight for Revolution, make yourself original...